Teledramaturgia - A Vida da Gente

Enredo apaixonante, sensível, com personagens profundos e verdadeiros e um pano-de-fundo mais que atual: as novas relações familiares.

Olhos na realidade e pés fora do chão - Um perfil do poeta Nelson Capucho

“A poesia parece uma inclinação. Todas as pessoas que eu conheço que escrevem poesia têm uma sensibilidade. Parece que o cara nasce poeta”, diz ele.

Poesia concreta - Intervenções urbanas

Muros, faixas de pedestre, pontes, edifícios, construções... Tudo se torna tela.

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Entrevista: Rumos do jornalismo

Diversos pontos de vista vêm levantando a questão de que somos controlados pelo poder econômico através dos meios de comunicação. Entretanto, a influência disto na sociedade vem tomando proporções muito grandes, que estão cada vez mais distantes de uma solução. E até onde essa influência midiática vem alterando nossos princípios? E em prol de que? Também questiona-se o futuro da sociedade, do jornalismo e do indivíduo. A entrevista com Viviane de Carli, jornalista de Londrina, nos oferece um olhar de alguém que vive a profissão no dia a dia, e nos leva a refletir de maneira filosófica o momento atual.
 Culturaria: Quais rumos você acha que o jornalismo esta tomando?
Viviane: Vejo que há uma preocupação de todos os veículos em garantir a todo custo a audiência, onde nem sempre há uma pesquisa de opinião. A preocupação na maioria das vezes é com uma informação que prenda o telespectador. Hoje, seja um veículo nacional, internacional, estadual ou local, a impressão que dá é que os olhos do jornalista estão focados na tragédia, porque é isso que vende. Hoje o jornalismo é pautado pela audiência e esta influencia de maneira direta a econômia. Aquele jornalismo romântico, que se fazia há duas décadas, não existe mais, é muito caro para se fazer. Então hoje temos o tipo de informação rápida e curta. Isso se da não só pela questão financeira, econômica, mas também pelas mídias rápidas que temos. O espectador pode ver o mundo na palma da mão, no toque digital. Nós que repassamos a informação precisamos nos posicionar melhor ao escolher as pautas.
Culturaria: Vejo que o indivíduo tem se fechado para o contato social cada vez mais, e a mídia tornou-se um companheiro dele. Então a pessoa fica boa parte do seu tempo vendo produtos com teor violento, catastrófico, alcoólico, sexualista, consumista...
Viviane: Quando estamos nos referindo à mídia de massa, se torna impossível desvincular o poder econômico que hoje em dia é maior que o poder político. As mídias de massa sofrem influencia direta da economia. Entramos assim nas questões de ética. Será que o jornalista e as mídias estão tendo ética? Será que se discute ética?O jornalista está em um processo de muitos questionamentos. Eu não concordo com o jornalismo pautado em cima da violência. Temos que tentar oferecer outra pauta que mostre que tem o outro lado para fazer a diferença.
Culturaria: Não sabemos se essa sociedade realmente gosta de ver essa violência, ou se ela esta sendo treinada a gostar disso.
Viviane: Eu não sei se entraria na velha máxima da teoria da conspiração, não consigo compreender porque esperou tanto tempo para se reinvestir nas polícias. A gente não concebe como e porque não se investiu na segurança. E a gente tem essa cultura da violência em qualquer lugar, e ficamos aprisionados, com medo. Você não sai mais da sua casa e investe mais em segurança privada. Eu acredito que a mídia tem esse olhar pessimista, porque afinal, o que vende? Matéria boa não vende muito fácil, nem para qualquer mídia. A empresa precisa de dinheiro para comprar a matéria, e sem audiência, não tem anunciante, então não tem dinheiro para comprar a matéria.
Culturaria: eu vejo que a maior parte que consome os produtos midiáticos de violência são pessoas com pouca educação. E porque não buscamos levar de maneira fácil boas informações para essa massa? Assim começamos a criar uma sociedade que pensa, e busca o que é melhor para si. Porque um povo que sabe o que quer não é enganado por qualquer político, exige seus direitos humanos e sabe o que faz.
Viviane: eu sinto uma acomodação, uma constante repetição de pautas. Vivemos uma ditadura do poder econômico. Quando você observa uma discussão de acabar com o diploma de jornalista, você percebe que há o poder econômico gerindo. Não é o diploma que nos faz um bom jornalista, mas sem ele, você execra uma categoria que lutou muito tempo. Você determina que qualquer Zé Mané pode ocupar o papel do jornalista e reproduzir algo de acordo com a manipulação econômica. Eu não vejo no meio jornalístico uma discussão sobre o futuro do jornalismo, sobre o papel dele na sociedade, sobre o que pensam. Afinal, o jornalista tem ética ultimamente? A televisão está em um processo de digitalização, e como têm custos altos, vão se exigir cada vez menos profissionais. Daqui a pouco você não vai mais precisar de jornalistas para mostrar uma imagem e transformar numa noticia. E quem vai fazer essa noticia? Quem vai produzir isso? São marqueteiros, publicitários?
Culturaria: Qual a influência da internet na carreira do jornalista e na sociedade?
Viviane: A internet superficializou tudo. Por outro lado, ela tem uma rapidez excelente. Antes eu sentia que havia uma busca por uma profundidade, por um conteúdo. Hoje é tudo muito rápido, muito superficial. O agravante disso, é que a internet trouxe uma fobia de relacionamentos, então você fala com o mundo, mas você não fala com você mesmo. Ou com o seu vizinho.A internet muda tudo. Daqui um tempo só uma pessoa, com uma câmera, poderá filmar, editar e enviar o material de onde ela estiver. Isso muda toda a perspectiva. Porque aprender a executar uma função tecnológica você aprende em seis meses no máximo. Agora o que você não consegue aprender dessa maneira e com essa rapidez é o senso critico, saber, ou contextualizar onde você esta. Não se deixar ser massa de manobra. Eu acho que a internet tem um poder tremendo, ela é uma ferramenta usada por todas as mídias, é quase uma pauta, é uma pré-pauta. E, no meio disso tudo, como está o jornalista? Que opinião ele vai formar?
 Culturaria: Por interesses financeiros, a sociedade está sendo totalmente deturpada. Não só o jornalista, mas toda a sociedade precisa se perguntar isso. Não sabemos qual é nosso papel na sociedade.
Viviane: quando você fala do jornalista; qual é o papel do jornalista? Ele é para ser o mediador social, certo? Uma pessoa que estudou para formar opiniões. E na verdade, hoje, ele passa a ser um mero reprodutor social.
Culturaria: Eu acho que o jornalista constrói a sociedade.
Viviane: Na verdade, o jornalista trabalha para alguém. Para um veículo ou uma mídia, geralmente de massa. E o que essa mídia espera? Lucro, dinheiro. E o que manda na mídia? O poder econômico. Então será que de fato o jornalista esta conseguindo cumprir o papel dele? Até que ponto ele pode divulgar certas informações? É um contexto muito serio.
Clturaria: Você acha necessária uma mudança de paradigma da parte dos jornalistas quanto aos acontecimentos sociais?
Viviane: O jornalista deveria ser um mediador de conflitos. Porque é ele que vai contar como a sociedade esta. E muito disso passa por uma construção pessoal, ele é um reprodutor do contexto social, e dependendo da visão dele e de onde ele esta, as matérias podem mudar. Mas, os veículos de massa estão dispostos a pagar um preço por uma verdade? Hoje o ser humano passa por um vazio profundo. Ele busca por assistência médica, e geralmente ele encontra com déficit, ele busca transporte e cai numa lata de sardinha, ele busca diversão, e vai encontrar à disposição álcool, drogas e sexo. O desespero das drogas hoje é tão grande, que isso toma conta de todos, porque alguém perto de você está envolvido com drogas. Então a gente vive um conflito de identidade. E o jornalista é um formador de opinião que esta no meio de toda essa bagunça.
 Culturaria: Quais mudanças são necessárias na atividade jornalística?
Viviane: Eu acho que essas mudanças são mais complicadas ainda. Nós temos ferramentas ideológicas que estão chegando com tudo. Eu creio que até fazer televisão, por exemplo, vai ficar bem diferente. Vai ter outra perspectiva, e ao ver os produtos de massa explorando cada vez mais problemas de violência, sexo, sabendo que por trás de tudo isso, tem a questão econômica, me assusta. Eu acho que, nós, jornalistas, somo pequenos Davis, enfrentando gigantes Golias. Eu vejo essa proporção do jornalista com a mídia. O jornalista esta sofrendo de perda sensitiva, perda da percepção. Você vê uma sociedade que carece de tudo. Carece de ética, carece de afeto, carece de amor, carece de vida. Carece de segurança, saúde e educação moral. E a educação é algo complicado. Muitos pais passam a responsabilidade de educar para a escola e na verdade, a escola tem o papel de passar o conhecimento formal. O papel de educar, de passar princípios do que é certo, do que é errado, é da família. A gente vive uma crise de identidade, de princípios, do que é bom ou não é. E ai, talvez nessa panela toda esteja a mídia. Porque ela é reflexo do comportamento social. A mídia também está em crise. Existe ética profissional, se não existe ética pessoal?
Culturaria: acho que a mídia hoje em dia faz um papel que começou com a família, foi pra igreja, pra escola e hoje está na mão da mídia, que é fornecer a educação moral do ser humano. E ela não é a mais indicada para isso, pois seus fins são lucrativos. Por isso a sociedade está cada vez mais confusa e perdida.
Viviane: As pessoas que acham que elas vão ser bem educadas ou que vão receber algum conhecimento da mídia, elas estão equivocadas. A mídia seve para informar. A minha capacidade de discernir é que tem de ser renovada. Ai é que eu digo que o poder econômico ganha muito com isso, afinal eles percebem que a mídia é que está cumprindo com o papel de educar a sociedade. E isso é um perigo, e o jornalista está no meio desse campo de guerra. Porque isso é uma guerra. Ganha quem tem mais dinheiro. Quem tem poder.


Culturaria: é a gente vive sob uma máxima hoje em dia onde é mais importante ganhar dinheiro do que abrir portas na mente das pessoas. Conscientizar.
Viviane: A impressão que da é que se criou uma geração de jornalistas com pouca vontade de pensar. Raros têm esse desejo de questionar, e a empresa não está muito interessada que você pense. Essas pautas disfarçadas onde tudo gira em torno da violência, entra na cultura do medo, do aprisionamento, poder econômico, é esse o ciclo. Um ciclo discreto mas que envolve. O pior é quando você, jornalista ou profissional da mídia, perde a noção de até onde você consegue ir, até onde sua ética te permite ir. Nem todo mundo tem essa consciência. Então eu creio que os jornalistas precisam discutir isso.


(por Amanda Martins)

Edison Maschio e suas memórias da pequena Londres

Inúmeras figuras do passado preencheram as páginas da história londrinense. Muitas guardam segredos já em sua última morada, outras continuam escrevendo e contando os causos vividos nessa terrinha que mais parece um coração de mãe.
Um desses lendários  é Edison Maschio, jornalista, escritor e repórter, como também gosta de ser chamado, e uma das memórias vivas da nossa cidade.

Ele nasceu em Assis (SP),mas chegou em Londrina em 1938, aos 6 anos de idade, sem imaginar que aqui viveria por longa data um elo de amor com o chão vermelho e cresceria junto com a cidade. 

Londrina é a senhora mais charmosa do norte do Paraná, ao longo de seus 77 anos de histórias, muitas delas narradas por Edison através dos livros que escreveu ou simplesmente a quem se interessa em sentar e bater um bom papo com o experiente jornalista. Na década de 60 ele editou o jornal “O Diário” que não permaneceu por muito tempo.

Numa época em que Londrina era considerada a capital do café, pessoas de toda parte do país e até do exterior, foram atraídas para cá devido ao grande crescimento econômico. Com uma lembrança não tão longe, o jornalista conta que com um comércio fortalecido e muita gente com dinheiro no bolso, as casas de tolerância foram ganhando espaço e procura. Londrina teve até fama internacional por conta de seus bordéis refinados ostentados com luxo ou casas simples - porém com belas mulheres.

Maschio ouviu e presenciou acontecimentos bizarros e inusitados, outros trágicos, como o assassinato do jornalista Eduardo Muller na vizinha cidade de Astorga. O fato gerou rumores em torno da prática jornalística na época, já que o motivo pelo crime teria sido a crítica feita pelo profissional ao vereador Manoel Valério Mota, que era candidato à prefeito da cidade. Esse acontecido é um dos mais lembrados por Edison, que parece ainda chocado quando fala sobre o assunto. Essas entre outras são histórias que o velho escritor descreve com fidelidade em “Histórias Ocultas” uma de suas obras com um título pra lá de auto explicativo. 

Como um bom romântico, passa horas com sua antiga companheira, a máquina de escrever, que nos dias atuais tem sido esquecida, mas não por ele, que adora passar o tempo exercitando os dedos nas teclas enquanto puxa pela memória os devaneios de um tempo que não volta mais. Gosta também de dar asas à imaginação como todo apaixonado pela escrita e pela leitura. Os romances são seus preferidos, no entanto é pai de dois livros bem escritos “Raposas do asfalto” e “Escândalos da província”, esse último, de 1959, foi o primeiro romance escrito, ambientado e publicado em Londrina. Mas tudo não são somente  flores. Com apenas 25 anos de idade, Maschio precisou fugir para São Paulo por causa das ameaças de mortes que sofreu por parte das pessoas que se sentiram retratadas no romance satírico. O jovem jornalista teve que  passar uma temporada de auto-exílio na maior capital do Brasil. Mas não deixou se abater pelo ocorrido, não desistiu e nem deixou afogar  seus objetivos. Retorno à terra do pé vermelho  com mais garra e imponente perante aos inimigos.

Senhor dos seus  77 anos bem vividos , mesma idade de Londrina, sua musa inspiradora, apresenta os cabelinhos grisalhos da cor da experiência e o corpo franzino mas com uma mente bem robusta. Em suas caminhadas, leva consigo uma simpática bengala e uma boina escura, características de um senhorzinho que não dispensa a companhia do charme e da elegância.

Ele passa serenidade e saudosismo ao falar das histórias do passado, seus olhos brilham com facilidade, e as palavras parecem ir de encontro ao coração. Não chega a se emocionar explicitamente, mas emociona quem ouve suas narrativas do passado, pois causa a impressão de estar cara a cara com as décadas anteriores, a imaginação de vivenciar um daqueles momentos, ora chocantes, ora divertidos ou misteriosos. Quem tem a oportunidade de prosear com Edison Maschio tem não só o prazer de desvendar situações delicadas envolvendo a alta sociedade londrinense e seus amigos da aristocracia estrangeira, mas pequenas aulas de história como o desbravamento do norte do Paraná e suas personalidades influentes.

Um homem com espírito jovem, Machio sempre foi avançado para o seu tempo. O senso crítico e a autenticidade o fizeram cair nos braços do jornalismo, com a exatidão de ser um eterno apaixonado.

(por Areuza Oliveira)

Viagem - A beleza dos EUA que eu conheci

Los Angeles, mais um poema de vida do que uma cidade, mais uma trilha sonora do que uma metrópole.  O incrível é a capacidade de transformação da cidade. Transformação de sentimentos, de ideias, de paradigmas. A cidade oferece feiras de antiguidades ao ar livre, cenas de filmes sendo gravadas na esquina de sua casa, aulas de yoga para a comunidade, empregos bons e de fácil acesso....

A diversidade cultural nos Estados Unidos, e principalmente em Los Angeles, é o que mais fascina quem vem de fora. Não são apenas diferenças de cultura entre países. É algo muito além.  Pode se ver de tudo numa mesma esquina, francês roqueiro, libanês pop, cubano intelectual... E o melhor, as pessoas não vivem como se estivessem interpretando um papel para serem aceitos na sociedade, mas escolhem um estilo de vida. É como se a filosofia grudasse nos ossos deles e precisasse ser expressa através de suas roupas, atitudes, gestos e sorrisos. A intensidade em tudo é algo visivel, marcante nessas pessoas.

Aqueles quem chegam de fora se misturam facilmente com os americanos. Todos encontram receptividade nos grupos. As pessoas querem se socializar, conhecer, explorar, se ajudar.
A educação do pais é considerada egocêntrica, mas se não fosse assim, será que eles seriam os Estados Unidos que conhecemos? Entretanto essa egocentricidade é relativa em muitos aspectos. Sabe aquela historia de que não existe mais inteligente, nem menos, mas sim inteligências diferentes? Os americanos que conheci se demonstraram práticos, ágeis, comunicativos, expressivos, cheios de atitude. Lá, não basta existir, trabalhar e comprar coisas legais. Você sente uma necessidade de viver o que você prega que acredita, ou então se perde no meio de outros com mais atitudes que você.

Uma pergunta permeia os pensamentos de qualquer pessoa que fica um tempo morando lá. "Será que é a vida que imita a arte, ou a arte é que imita a vida?". As situações que vivemos nos envolvem, e tiram de nós o melhor, nos surpreendendo em todos os aspectos, inclusive na semelhança com os fatos narrados nas telonas.

Los Angeles é uma cidade enorme, que teve de ser dividida em "bairros" que se comportam mais como mini cidades dentro de uma mega cidade. Malibu, Venice, Santa Monica, Passadena, San Pedro, Hollywood, Los Feliz, Beverly Hills.... Cada bairro tem sua característica marcante, cada bairro tem seu ritmo de vida.

Venice beach é uma praia encantadora, cheia de hippies, ativistas, espiritualistas, regueiros... Todos reunidos numa mesma praia, compartilhando um estilo de vida livre. Todos os finais de semana, às 4 horas da tarde eles se reúnem na areia, em frente o mar, para celebrar o pôr-do-sol. Crianças, velhos, jovens, homens e mulheres, tambores, flautas, violas. A emoção toma conta de você. Quando se dá por si, lá está você também, celebrando o pôr-do-sol com mais umas 200 pessoas que você nunca viu e nunca imaginou ser possível existir.

Hollywood... confesso que me apaixonei por essa mini cidade muito loca. Na Boulevard tem uma escola de música que traz jovens aspirantes a ídolos musicais e torna a rua um desfile de esquisitos. Todos misturados, todos com atitude forte, todos encantadores. Lá também é onde ficam uma boa parte dos homeless da cidade, dos mendigos, que não são tão mendigos assim, têm dinheiro para viver, comer, mais não conseguem bancar uma casa, uma vez que a moradia lá é extremamente caro. Pessoas fantasiadas de personagens marcantes dos filmes acampam na frente do Teatro Kodak para pousarem para fotografias com os turistas e ganhar com isso 2 dólares por fotografia. Mas senti que o que eles buscam é mais diversão.
Santa Monica, a praia dos emergentes. Malibu, a dos milionários. Aliás, Malibu é praticamente apenas casas, têm pouco comércio, poucas ruas. A cidade de Los Angeles quase não têm prédios, é bem espalhada e faz jus às cenas que vemos nas telas do cinema. O clima seco e quente nos comove, envolve e move.
Essa expressão de vida, essa paixão se expande pelos outras cidades do país. Nova York parece um cenário de fotografia, hawaii, o do sonho de todos.


Nova York se assemelha com uma maquete. A beleza da cidade parece algo geométrico. Tudo se encaixa, tudo combina. A cidade foi feita para se explorar. Cada pedaço te convida. O incrível é ver que tudo se assemelha ao que vemos nas telas, porém muita coisa fica escondida. Times Square é a locura que vemos em filmes hollywoodianos, porém nela vemos mendigos que as telas escondem, e o dia a dia da cidade que te consome.
O movimento é frenético, e mais uma vez, a diversidade cultural toma conta da cidade. No trânsito, todos buzinam, gritam, é uma loucura. Não é uma cidade fácil, e reúne pessoas que querem mais da vida e de si. Todos se dedicam e muito à vida profissional, à aparência, à conquistas materiais. Lá aprendemos a ver a vida do lado avesso, a conhecer nossa outra face, e consequentemente nos vemos na necessidade de nos perdoarmos e seguir em frente. Museus, restaurantes, lojas, tudo tem uma arquitetura estonteante, que te segura o olhar. Cavalos na rua, para os passeios românticos, sim, é de verdade! Lá também te é exigido atitude, e firmeza. Curiosidade é algo mais que necessário, uma vez que os melhores serviços, como restaurantes, lojas, bares, estão escondidos. Então, ou você conhece alguém que te leva à esses misteriosos lugares, ou usa da sua curiosidade para chegar lá. Como em uma grande loja de departamento, tem que fuçar, cavar na cidade para se chegar ao ouro.

A melhor maneira de se locomover é a pé, e sem direção. Porém, leve um mapa para se encontrar. Mas se perder na cidade é uma delícia, se encontrar então, uma prova de bom senso de direção. Comer também é uma aventura, e mais uma vez, os lugares mais escondidos são os melhores. Todos te ajudam se você se perder. Todos adoram dar dicas, e fazer amizades. Comprar é uma maravilha, pois na América não se tenta ganhar dinheiro com as vendas, mas sim vender um grande número de produtos, então tudo lá é muito barato. Andar na rua é participar de um desfile de moda à plena luz do dia. Todos os estilos no mesmo quarteirão. Ninguém tem vergonha, pois ninguém olha, então a liberdade de expressão é fácil de existir. Nova York é uma cidade que todos devem conhecer. Em um dia você se apaixona, em dois aprende a se localizar, em três não quer mais sair de lá.

O Hawaii é sem palavras. Um lugar paradisíaco. É formado por nove ilhas. Estive apenas em uma, que acredito ser a mais conhecida. O nome da ilha é O`AHU, nela estão Waikiki, praia dos ricos, Honolulu, parece mais praia de barbie, a areia é branca, o mar azul como o céu, a vegetação verde e parece de plástico. Também na mesma ilha econtramos o Pipeline, praia de surfistas, que no inverno fica até proibido molhar os pés na água, pois se corre o risco de ser levado para a fúria das ondas. Também foi lá que ocorreu o episódio do Pearl Harbor, muito interessante de visitar. Pareceu-me também que muitos filmes de Hollywood são gravados lá. Câmeras em todos lugares, atores em todas esquinas. O calor é fritante, o mar uma delícia. Todos te ensinam a surfar, a remar. Eles querem que você entre no mar e explore tudo que para eles é diário.
A relação estabelecida entre os surfistas da região é incrível. Pai, filho e neto passam os dias olhando para o mar, bebendo uma cerveja e surfando quando a vontade bate. Parece que ninguem trabalha nem estuda. As crianças matam aula para surfar, então precisa-se de guardas para fazer a vigia nos mares. Os hábitos alimentares do continente atingiram a ilha, e todos amam Mc Donald`s, mesmo tendo na ilha uma diversidade enorme de frutas e vegetais.
Incrivelmente os havaianos são tailandeses gordos, o que te assusta no começo, pois pelo que vemos nas telas, o país é lotado de gente bonita, magra e surfista. Mas não é assim. Os nativos da região estão cada vez mais gordos. Entretanto sair para explorar a culinária do local te proporciona o contato com gosotos desconhecidos. Sopas de vietnamitas, peixe cru, muito peixe cru, com temperos diferentes. Quase tudo tem abacaxi, uma vez que esta é a fruta da região. Lá você precisa de um carro para se mover de um lado para o outro. E muita preguiça para poder ficar deitado o dia inteiro tomando uma cerveja e olhando para o mar e pensando "Porque, meu pai, não nasci no Hawaii?".

(por Amanda Martins)

domingo, 20 de novembro de 2011

Londrina - Uma cidade em desenvolvimento cultural

Museu Histórico de Londrina
Em seus 77 anos de surgimento, a cidade de Londrina guarda muitas marcas históricas da sua cultura antiga, como o Museu Histórico e o teatro Ouro Verde. Além dos grandes marcos culturais, a cidade investe em eventos de expressões artísticas, por meio de festivais reconhecidos nacionalmente.

“A cultura em Londrina tem um processo singular”, conta o secretário de Cultura da cidade de Londrina, Leonardo Ramos. Segundo ele a política pública, para o incentivo à cultura, foi plantada na cidade há quase 20 anos. “Desde que foi inserida a política pública, a cultura vem construindo e evoluindo, tornando-se algo maior”.

Mas o que realmente é cultura? Ramos, fala que as pessoas ficam sem saber definir o que é cultura, porém, mesmo essa falta de conhecimento, não as impede de perceberem a cultura. “A cultura está a nossa volta, em toda a cidade.”

Londrina é uma grande produtora cultural, a cidade tem vários projetos com os diversos temas como dança, música, teatro e fotografia. “Existe um vasto campo, a população tem muitas oportunidades para ter experiências culturais”, enfatiza o secretário.

O londrinense não precisa aguardar os festivais, pois, a cultura acontece durante todo o ano. Projetos desenvolvidos nas escolas como “Um canto em cada canto”, “Musicando nas Escolas”, “Contação de Histórias”, e diversos outros projetos que objetivam envolver a criança e o adolescente nesse universo artístico e criativo. “As pessoas que praticam qualquer tipo de artes, adquirem um maior censo crítico e maior poder de discernimento”, enfatiza o secretário.

Para Ramos, a cultura não é algo que exclui, ou que está disponível apenas para alguns grupos de pessoas. Mesmo que de forma singular a cultura está implícita no dia a dia. “A cidade de Londrina respira cultura. Tudo o que é feito, os festivais, por exemplos, são realizados de forma a levar o cidadão, e envolver toda a cidade. Além, de serem mais acessíveis economicamente.”

Quando se fala de cultura na cidade de Londrina, não podemos deixar de ressaltar os grandes eventos que são realizados: o Festival Internacional de Londrina (FILO), Festival de Música, Festival de Dança o DemoSul. Todas as vertentes são apresentadas nesses eventos: música, teatro, dança fotografia. “Os festivais são um momento de pensar sobre o que está sendo feito na cidade e em outros locais do Brasil e do mundo”, complementa o secretário.

A importância desses festivais não está apenas para os artistas que apresentam seus espetáculos e participam dos cursos e oficinas. Mas, também, para a população, porque conhece trabalhos que vêm de fora e os trabalhos que estão sendo realizados na cidade, muitas vezes desconhecidos. Ramos destaca ainda, um outro ponto muito importante, mas pouco lembrado. “Os eventos culturais são importantes para a economia da cidade, pois, são os que mais distribuem renda.”

Mesmo com tantos projetos e eventos culturais, é possível notar que ainda existe uma carência quanto a estrutura dos eventos. Sobre isso, Ramos fala que tem à necessidade de formar produtores culturais, que realizam as estratégias de montagem de trabalhos. “Existem apenas cinco grupos, é necessário para uma cidade como Londrina, centenas deles, para que haja uma melhor organização e realização dos festivais e eventos culturais.”

O processo cultural, como afirma o secretário, é algo que desenvolve e constrói aos poucos e que cada passo é muito importante nessa evolução. Ramos fala ainda que a função do poder público está em favorecer, dar continuidade e desenvolver a cultura. “O poder público tem o dever de incentivar e estimular a cultura na cidade”.


(por Mayara Teles)