Teledramaturgia - A Vida da Gente

Enredo apaixonante, sensível, com personagens profundos e verdadeiros e um pano-de-fundo mais que atual: as novas relações familiares.

Olhos na realidade e pés fora do chão - Um perfil do poeta Nelson Capucho

“A poesia parece uma inclinação. Todas as pessoas que eu conheço que escrevem poesia têm uma sensibilidade. Parece que o cara nasce poeta”, diz ele.

Poesia concreta - Intervenções urbanas

Muros, faixas de pedestre, pontes, edifícios, construções... Tudo se torna tela.

Mostrando postagens com marcador artes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador artes. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Poesia concreta - Intervenções urbanas


A arte está perdida? Hoje em dia, não sabemos mais o que é arte ou não. E entre aquelas que são, existe sempre o questionamento: é ou não é arte? É difícil corresponder às exigências da sociedade. É difícil surpreender alguém, e, mais ainda, fazer algo diferente e inovador. A cidade nos engole, nos consome. Felizmente vemos uma nova geração vindo com alto estilo. Os novos artistas se aproveitam dessa confusão da cidade e em vez de se deixarem engolir por ela, mudam seu contexto com desenhos, intervenções, e até confusões. Muros, faixas de pedestre, pontes, edifícios, construções... Tudo se torna tela. Entre eles, existe um respeito combinado, não se desenha em cima do desenho do outro. Entretanto esta é uma arte rápida e efêmera.  Você pinta hoje e uma semana depois pode não ver mais seu trabalho. Entretanto, essa uma semana já é o suficiente para causar mudanças filosóficas, sociais e comportamentais na sociedade.

Mensagens são passadas através dessa arte, reflexões acerca da vida, e um estilo, uma mensagem visual que comove a todos nós. Foi encontrada uma ótima maneira de se protestar e se fazer ouvir em meio a tantos barulhos. São Paulo é uma cidade que tem muitas dessas mentes que visam mudar a sociedade através de sua pintura. Na cidade de bauru, a quantidade de novos artistas é incrível. Todos querem trabalhar com a comunicação visual. Matheus Marques é um deles, espalha seu apelido "fino" por toda a cidade. Usa sua tag, que é a assinatura do grafiteiro para o reconhecimento do seu trabalho, como uma etiqueta, para marcar o território e expressar suas mensagens. Fica claro que ele usa a cidade em vez de se deixar ser usado por ela. Ao conhecê-lo mais de perto fica nítida a maneira como a arte toma a vida e a mente desse rapaz. Tudo se transforma em sua cabeça. A capacidade de criação e transformação é incrível.


Intervenções surpreendentes são marcadas pelo improviso e agilidade, as criações se destacam em meio a tantos outros rabiscos perdidos. Tudo se torna material artístico na mão de quem sabe viver de acordo com a famosa frase.. "Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma." 


(por Amanda Martins)

Londrina expõe a arte da liberdade

A cidade de Londrina teve o privilégio de desfrutar um pouco da liberdade da arte contemporânea. Entre os dias 3 a 20 de outubro, artistas de todo o Brasil reuniram as suas obras no Salão de Arte Contemporânea de Londrina. O local escolhido para abrigar a mostra, foi o Museu de Arte da cidade.

Arte conhecida por proporcionar liberdade e vários recursos materiais aos artistas, foi exposta em Londrina, por meio do 1° Prêmio Londrina de Arte Contemporânea, em que, das 87 obras inscritas, 26 foram selecionadas a serem apresentadas. Pinturas, fotografias, instalações, desenhos e vídeoarte, foram protagonistas do Salão de Arte, que trouxe um recorte especial da arte contemporânea no Brasil.

Com a criação deste Prêmio em na cidade, segundo o coordenador do Prêmio Londrina, Marcos Costa, a organização buscou proporcionar aos artistas a oportunidade de apresentarem suas obras e ao público, de estabelecer contato com a arte contemporânea. “De caráter formativo, o evento busca multiplicar esse público na cidade”, afirmou.

Através do tema proposto, “A Arte em Defesa da Terra: Urgente”, os artistas ergueram um alerta para a preservação ambiental, promovendo assim, uma reflexão sobre a vida por meio da arte. “Falar e pensar em arte contemporânea é, acima de tudo, propor uma análise crítica que interroga e que atribui novos significados e novos conceitos em arte”, enfatiza Costa.

Vencedores do 1° Prêmio Londrina de Arte Contemporânea

Autorretrato com pombo
Entre as 26 obras selecionas, três foram premiadas. Em primeiro lugar ficou o vídeo “Tempestade”, trabalho de Bárbara de Azevedo, de São Paulo; a obra selecionada para o segundo lugar foi a “Quatro experiências” - cadernos de desenho do artista, do londrinense Márcio Diegues; já em terceiro foi escolhida a fotomontagem digital impressa em adesivo autocolante, com o tema “Autorretrato com pombo”, do também londrinense, Peterson Dias.

Os prêmios são os seguintes: R$ 5.000,00 para o primeiro colocado, R$ 2.000,00 para o segundo e o terceiro lugar ficou com R$ 1.000,00. A relação dos finalistas está no site www.artecontemporanealondrina.art.br.    

A comissão julgadora concedeu, ainda, menções honrosas a dois artistas de Goiânia, no estado de Goiás: Rava Monique, que inscreveu trabalhos de duas séries em bordados sobre sacolas de plástico e Glayson Arcanjo, que apresentou fotografias com desenhos em demolições.

Link para mais informações: http://artecontemporanealondrina.art.br/

(por Mayara Teles)

domingo, 20 de novembro de 2011

A dor é fotogênica - Um olhar sobre as fotografias de Sérgio Ranalli

foto de Sérgio Ranalli
Quando se fala de fotografia, uma das primeiras coisas que vêm em mente é o conceito de instante decisivo, criado pelo fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson. Nas palavras dele: “Dentro do movimento existe um instante no qual todos os elementos que se movem ficam em equilíbrio. A fotografia deve intervir neste instante, tornando o equilíbrio imóvel.” Walter Benjamin também fala sobre: “mesmo na reprodução mais perfeita falta uma coisa: o aqui e o agora da obra de arte”. Nesse caso, a fotografia é a obra de arte, pois é singularizada pelo momento. Esse conceito pode ser comparado e somado à arte de recortar as mais diversas cenas e dar a certo momento um gosto de eternidade. Sérgio Ranalli, fotógrafo e editor da Folha de Londrina, viajou por vários lugares, incluindo Haiti, antes e depois do terremoto, Amazonas e Antártica e é um exemplo disso tudo e de que mais do que uma câmera na mão o fotógrafo precisa ter tesouras no olhar. “Fotografar é igual a ter uma tesoura nas mãos, você escolhe que parte da realidade vai recortar”, diz ele. Ranalli foi influenciado principalmente por Sebastião Salgado e o próprio Cartier-Bresson.

Diante de todo o relato mostrado por várias fotografias tiradas por Ranalli em suas viagens, chega-se a uma triste conclusão: a dor é fotogênica. Pode parecer contraditório e até um pouco frio, mas pelo contrário, a dor é fotogênica no sentido cru da palavra: fica bem representada pela fotografia. Entre tantas coisas belas do mundo, fotógrafos como Sérgio Ranalli, Sebastião Salgado, Henri Cartier-Bresson e Robert Capa optaram por mostrar o feio. E o feio por trás das lentes de tantas câmeras pode esconder uma beleza quase que aterrorizante. Susan Sontag diz que “mesmo que sejam apenas símbolos e não possam, de forma alguma, abarcar a maior parte da realidade a que se referem, elas ainda exercem uma função essencial.”

É uma realidade dolorida, porém, é uma realidade. Incomoda. Arde. Desconforta ao mesmo tempo em que nos faz agradecer a nossa condição e devanear. São retratos do cartão de visita do lado obscuro da vida. O outro lado do espelho. Os olhares tristes que esquecemos de ver, o sangue que nunca sentimos o cheiro, a fome que nunca nos atingiu.

Se fosse perguntado para várias pessoas qual a sensação que esse tipo de fotografia desperta nelas, com certeza seriam ouvidas respostas totalmente diferentes. É essência puramente imagética. É a realidade das fotografias misturada com a nossa própria. Paradoxo. Contradição. A imagem como metáfora da dor.
foto de Sérgio Ranalli
Dentro desse quadro o fotógrafo tem um papel decisivo, claramente. É pelos olhos dele que vemos o que os nossos olhares não conseguem captar. Sebastião Salgado disse: “Minhas fotografias são um vetor entre o que acontece no mundo e as pessoas que não têm como presenciar o que acontece. Espero que a pessoa que entrar numa exposição minha não saia a mesma. (....) Espero que tanto como indivíduos, grupos ou uma sociedade, façamos uma pausa para pensar na condição humana na virada do milênio. Na sua forma mais brutal, o individualismo continua sendo uma fórmula para catástrofes. É preciso repensar a forma como coexistimos no mundo.”

A condição humana tem andado por caminhos nada agradáveis, realmente. O papel do jornalista na construção do retrato dessa condição pode ser comparado facilmente ao trabalho de polícia: investigação e mergulho dentro de um caso que envolve nada mais nada menos do que todos os habitantes desse planeta: desde desabrigados, refugiados, esquecidos, até o mais alto escalão da sociedade.

Por trás de tanta dor retratada de forma tão poética e sensível por tantas lentes, ainda sobra a dignidade. E foi essa dignidade que se sobressaiu à dor e ficou marcada na memória de Sérgio Ranalli. A dignidade de existir, mesmo que esquecido. De sorrir, mesmo com mil motivos para fazer exatamente o contrário. De continuar vivendo, mesmo com a realidade a bater no rosto. Por um segundo, nesse instante decisivo tão citado, nesse pequeno átimo, as pessoas retratadas em tantas fotografias puderam levar a quem quer que as vejam – e que se faça a devida diferença entre olhar e ver – o significado cru de um verbo por trás de tantas marcas, o verbo ser. Por poucos segundos puderam dizer com um sorriso e um olhar o que muita gente demora a vida inteira pra se dar conta: Eu sou.


(por Layse Moraes)